A resposta para a pergunta “quem é você?” não tem que ser necessariamente de fácil construção ou imutável. Ao contrário, um leque grande de alternativas para a sua resposta sinaliza um direito que, muitas vezes, é um privilégio.

“As  ‘identidades ‘ flutuam no ar, algumas de nossa própria escolha, mas outras infladas e lançadas pelas pessoas em nossa volta, e é preciso em alerta constante para defender as primeiras em relação às últimas”. Essa é uma frase que eu, como estudiosa da representação da mulher na comunicação, gosto muito. O autor,  Zygmunt Bauman, aclamado sociólogo polonês, evidencia com essa fala que a resposta para ”quem é você” não deve ser simplesmente descoberta, e sim autenticamente desenhada.  Mas o quanto da nossa própria identidade como mulheres podemos, de fato, construir?

Uma identidade fixada solidamente é um fardo. Esse pensamento só reforça o quanto os estereótipos são nocivos para a construção de uma sociedade mais igualitária e justa, visto que retira de certos grupos  a opção pela a autêntica construção da identidade. Se você foi categorizado em uma “subclasse”(expressão utilizada por Bauman) , significa que sua individualidade lhe foi negada e você está destinado à exclusão do espaço social em que as identidades são buscadas ou refutadas.

Como mulheres estamos fadadas a ter a nossa identidade, muitas vezes, pré-concebidas e impostas pela sociedade e pela forma com que o gênero feminino é historicamente representado. Raça, gênero, país e classe social –identidades herdadas – estão se tornando cada vez mais diluídas e menos importantes na formação da resposta à pergunta “quem é você?”.  Isso significa, que ser mulher, por si só, não deve simploriamente mais definir sua profissão, preferência de cor, modo de se vestir ou pensar, por exemplo.

Estamos numa sociedade em constante movimento, portanto já não fazem sentido definições de identidade rígidas e inegociáveis. Por isso o notável clamor das mulheres por representações femininas que fujam do que nos foi imposto em certo momento pela sociedade. Não queremos mais nos vermos representadas de forma estereotipada, ou que simplesmente nos digam o que, como mulheres,devemos ou não ser e fazer.

A luta pela definição da identidade da mulher não deve assim ir no caminho de dizer como você deve se posicionar perante à sociedade – se deve ter filhos ou não, trabalhar fora ou não e ser mais doce ou mais agressiva. O que nós, mulheres, buscamos  nessa construção (e desconstrução) da identidade é pura e simplesmente a escolha. O direito de podermos dizer por nós mesmas o que somos e desejamos ser.