shutterstock_184647743Definitivamente, 2016 foi um ano “piloto” para o empreendedorismo feminino. Não por ser uma atividade nova já somos mais de 10 milhões de brasileiras comandando seus próprios negócios, 49% de todos os empreendedores, mas porque vários atores intensificaram esforços em impulsionar empreendedoras.

Desafios específicos foram detectados, como as motivações para empreender. Desemprego, insatisfação na carreira e maternidade são os principais fatores que levam mulheres a investir em um negócio próprio. Muitas partem para ocupações em horários mais flexíveis, compatíveis com as tarefas domésticas e os filhos.

Elas também apostam mais em negócios relacionados às suas habilidades e competências diferentemente dos homens, que focam em desenvolver negócios de acordo com tendências do mercado.

O acesso ao crédito é um outro desafio. Institutos de pesquisa têm constatado que as empreendedoras têm menor apoio do poder público e das instituições financeiras, e arriscam menos na hora de acessar recursos.

Questões estruturais também podem decidir os rumos dos negócios das mulheres. Mesmo para empreendedoras que atuam em negócios com altos níveis de inovação, receber investimento é um problema.

Uma pesquisa da Harvard Business School mostrou que investidores tendem a apostar mais em negócios liderados por homens. No estudo, quanto mais bonita a mulher, menor era a credibilidade diante da banca de investidores composta por homens e mulheres.

No que tange a financiamento e inovação, os homens têm se lançado o desafio de inovar em produtos, enquanto que as mulheres agregam novidades no processo produtivo que são menos visíveis na hora de justificar o financiamento. Conhecidos os obstáculos, fica mais fácil traçar um plano.

O ambiente conspira a favor do crescimento do empreendedorismo, visto que ainda estamos atravessando tempos de crise econômica. O governo acaba de anunciar uma linha de crédito de R$ 30 bilhões com juros reduzidos para estimular o empreendedorismo e ajudar micros e pequenas empresas de todo o país. O BNDES publicou que adotará um conjunto de medidas para simplificar o acesso ao crédito, e os bancos têm criado linhas exclusivas para fomentar o empreendedorismo feminino, como Banco do Brasil, Itaú e Santander. Organizações de fomento ao empreendedorismo feminino também têm desempenhado papel central nesse cenário, como a Rede Mulher Empreendedora e a Weconnect, recémchegada ao Brasil, que treina e certifica empreendedoras para serem fornecedoras de instituições no Brasil e no exterior.

Grandes empresas de tecnologia estão criando programas específicos para incentivar o empreendedorismo feminino de alto impacto. O Campus São Paulo (Google Space) tem em seu programa de residentes quatro diretorasexecutivas e desenvolve um trabalho intensivo de mentoria e cursos para mães (Campus for Moms) e está buscando aumentar a participação feminina.

Costumo dizer nas palestras para empreendedoras que não se trata de pegar o lugar dos homens que estão criando negócios e mudando o mundo. A questão é que somos mais de 50% da população mundial e podemos acrescentar muita inovação e criatividade no desenvolvimento de soluções que impactam a vida de todos.

Fonte: Folha de São Paulo