Descubra lideranças de iniciativas muito legais nessa área em que ainda somos minoria

A baixa representatividade de mulheres no setor de tecnologia é um problema global. Apenas 30% dos funcionários totais do Google, no mundo inteiro, são mulheres. Elas representam apenas 17% dos engenheiros e programadores.

No Brasil, segundo o Censo 2010, o último levantamento do IBGE com essas informações, as mulheres representam apenas um quarto das 520 mil pessoas que trabalham com computação no Brasil. Para piorar, de acordo com o mesmo Censo, o salário médio das mulheres no setor de TI é 34% menor do que o dos homens, e, nos cargos de chefia, elas ganhavam 65% a menos. Na ciência, a situação é parecida. Dos 112 jovens cientistas eleitos membros afiliados da Academia Brasileira de Ciências (ABC) apenas 29 são mulheres, de acordo com um levantamento do jornal O GLOBO.

A boa notícia é que finalmente algo está sendo feito. Somente este ano, Google e outras empresas lançaram projetos a favor da diversidade de gênero nas empresas e a Secretaria de Políticas para Mulheres anunciou um investimento de R$ 10,9 milhões para dar bolsas de estudos para 900 alunas de ensino médio com projetos na área de tecnologia. Além disso, temos ótimos exemplos para mostrar que podemos nos destacar em Tecnologia. Conheça cinco mulheres que mandam bem no setor:

Camila Achutti, diretora do Technovation Challenge no Brasil

 www.sepehrzamani.com

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A paulistana de apenas 22 anos foi a única mulher a se formar na sua turma de Ciência de Computação da USP. Outras duas mulheres entraram no curso com ela, mas uma desistiu e a outra atrasou os estudos. Ao perceber que ela era o “bendito fruto” da turma, resolveu criar o blog Mulheres na Computação para compartilhar suas dificuldades. O blog virou referência e dezenas de meninas contaram a ela que passam pelos mesmos problemas, desde piadinhas até falta de banheiro feminino em faculdade voltada a tecnologia (!). Camila foi escolhida para participar de um estágio de três meses na sede do Google, na Califórnia, e hoje é diretora do Technovation Challenge Brasil, um programa global de incentivo à participação feminina na área de tecnologia e ao empreendedorismo das mulheres.

Bel Pesce, menina do Vale

Youtube

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Com apenas 17 anos, Bel foi estudar Ciências da Computação, Engenharia Elétrica, Administração, Economia e Matemática em uma das mais prestigiadas universidades do mundo, o Massachusetts Institute of Technology (MIT). Enquanto estudava, trabalhou na Microsoft, Google e Deutsche Bank. Hoje, Isabel Pesce Mattos –  mais conhecida como Bel Pesce, a menina do Vale – é empreendedora e fundadora da FazINOVA, uma escola de empreendedorismo. O apelido vem do seu livro online e gratuito A Menina do Vale, sobre seus aprendizados no Vale do Silício. Em três meses, o livro teve mais de um milhão de downloads. Foi considerada uma das “100 pessoas mais influentes dos Brasil”, pela Revista Época, um dos “30 jovens mais promissores do Brasil”, pela Revista Forbes, e entrou na seleta lista dos “10 líderes brasileiros mais admirados pelos jovens” pela Cia de Talentos.

Bedy Yang, 500 Startups

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Filha de chineses, a brasileira foi para os Estados Unidos estudar o relacionamento entre Brasil e China em 2003. Enquanto estava lá, percebeu as oportunidades do mercado brasileiro para inovações tecnológicas e foi trabalhar no Vale do Silício como intermediadora entre investidores americanos e empreendedores brasileiros. Em 2009, fundou uma plataforma colaborativa online, a Brazil Innovators, uma rede onde investidores dos EUA e empreendedores do Brasil se relacionam, fechando 20 negócios por ano. Também criou o projeto Brazil Innovators Fellows, que traz os investidores americanos ao Brasil e leva os brasileiros para uma imersão no Vale do Silício.

Beatriz Queiroz, co-fundadora do MyMEMORA

Fundadora do MyMemora. Imagem MyMemora.com

MyMemora.com

Engenheira de Produção Mecânica formada pela USP e ex-dançarina de balé, Beatriz é apaixonada por tecnologia. Após liderar diferentes projetos de e-commerce, educação e marketing, hoje dedica-se a uma das startups que fundou, a MyMEMORA. A empresa, que propõe gravações inusitadas por meio de uma câmera de vídeo que você “veste como uma roupa” é resultado de um projeto criado na Singularity University em um programa de pesquisa no centro da NASA, no Vale do Silício, e premiado no Hackathon do site TechCrunch.

Sonia Guimarães, primeira negra a obter PhD em Física no Brasil

Fapesp

Fapesp

Sonia é a principal pesquisadora do Comando Geral de Tecnologia do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde dá aulas de Física. Também é professora do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos, fundadora da ONG Afrobrás e colaboradora da Universidade Zumbi dos Palmares. Ela foi a primeira brasileira negra a obter PhD em Física no país, ao se especializar na Inglaterra, na University of Manchester, na área de Matéria Condensada. Outro cargo importante que ocupou na área de tecnologia foi o de gerente do Projeto Sensores de Radiação Infravermelha do Instituto de Aeronáutica e Espaço produzindo dispositivos que veem calor e são usados para defesa aérea.