Ainda não está claro para todos que estamos bem longe da igualdade entre homens e mulheres em várias esferas, inclusive no mercado de trabalho. Aos incrédulos, uma boa prova de que esse problema existe, sim – e é endêmico – é o relatório de desigualdade de gênero do Fundo Econômico Mundial (FEM), o Global Gender Gap Report. Mas ainda há esperança: o caso da Islândia, ainda que imperfeito, nos dá uma boa dose de otimismo.

O relatório, que já está em sua 9ª edição, avalia as diferenças entre homens e mulheres no acesso a saúde, educação, participação na economia e na política. A edição de 2014 do relatório foi publicada em novembro: enquanto o Brasil caiu nove posições em um ano e chegou na  71ª colocação na lista, de 142 países, a Islândia manteve-se pela sexta vez consecutiva na 1ª  posição. Mas afinal, o que fazem os islandeses?

Exemplos de boas práticas em vigor no país são a licença paternidade de três meses, a mais longa do mundo e compulsória, que tem comprovado impacto na posterior divisão da tarefa de cuidar dos filhos; cotas para mulheres no conselho de empresas para fomentar a formação de mulheres para posição de liderança; subsídio público tornando o custo de creches e escolas muito acessível. Ainda assim, os salários para as mesmas posições tem uma diferença de 20%, em média.

Enquanto isso, no Brasil… o resultado no ranking do FEM é ratificado por dados do censo de 2010 do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados também em novembro deste ano. Segundo o censo, as mulheres são maioria nas universidades brasileiras (57,1%), mas ainda têm salários menores do que os dos homens. Uma das explicações é que as mulheres optam por careiras de pior remuneração, como as da área de educação. Mas mesmo dentro de um mesmo segmento a média do salário feminino é diferente da do masculino. Na área de serviços, o salário das mulheres equivale a 53% do dos homens e na engenharia e construção civil equivale a 66%. No ranking, os piores resultados brasileiros são na avaliação de salários, participação e liderança feminina no mercado de trabalho.

“Atrás de todo índice de estatísticas está uma realidade social complexa. Na Islândia, assim como em todos os lugares, ainda há uma necessidade considerável de melhorias. Em 2015, o movimento feminino islandês vai celebrar o centenário do sufrágio das mulheres. O aniversário será celebrado em grande estilo com uma conferência com especialistas sobre os desafios do feminismo hoje. Vai ser um bom momento para lembrar que o que conquistamos pode ser facilmente destruído. Não existe espaço para condescendência para qualquer um de nós que se importa com igualdade de gênero”, escreveu Annadís Greta Rúdólfsdóttir, diretora do programa de estudos de igualdade de gênero da ONU na Universidade da Islândia em um artigo publicado no The Guardian.