Olá, sou Renata, empreendedora da ImpulsoBeta. Aqui meu papel é escrever, cuidar de parcerias importantes para levarmos nossa mensagem a mais mulheres, desenvolver cursos, planejar formas de tornar a Beta uma empresa de alto impacto e também um bom negócio. Se me contassem que essa seria eu há 10 anos eu ficaria bem animada…mas parecia distante do caminho que eu estava começando a trilhar.

Em 2004 eu estava entrando na escola de jornalismo da USP e meu sonho era ser correspondente internacional de um grande veículo de abrangência global: Globo, CNN, BBC. De uma turma de 30 alunos, a menina de Guarulhos era um dos poucos que realmente queria ser jornalista. É comum encontrar alunos de jornalismo que foram parar no curso porque gostavam de escrever ou porque gostavam de tantas coisas que não conseguiam escolher que rumo seguir. Eu queria ardentemente o jornalismo porque parecia ser uma carreira que me proporcionaria a oportunidades de aprender muito, conhecer gente interessante, contribuir com a melhoria da sociedade e participar do tipo de momento que entra pra história. Lembrava do Pedro Bial cobrindo a queda do Muro de Berlim e aquilo parecia o máximo.

E aí eu fiz tudo que o protocolo mandava: fiz estágio na agência de notícias da USP, numa agência italiana, fui cursar um semestre de jornalismo na Espanha ao ganhar um prêmio de jornalismo do Estadão, trabalhei num jornal em Sevilla durante esse período, entrei na Editora Abril. E aí me vi sendo repórter numa das revistas mais importantes do Brasil: entrevistando prêmios Nobel e ministros pra falar da crise econômica; indo atrás de casos polêmicos como o da garota Isabela; falando com figurões como Mark Zuckerberg. Aquilo era tudo MUITO legal. Mas curioso que de uma hora pra outra deixou de fazer sentido. Não estava sentindo aqueeeele impacto que queria causar nem sentia que tinha autonomia…e isso foi me deixando meio morna.

Investiguei lá no fundo e descobri uma parte de mim que não vinha sendo ouvida há algum tempo. Tinha lá no armário uma garota que fazia trufas e ovos de páscoa pra levantar uma graninha na adolescência, a filha de uma família de comerciantes trabalhadores e otimistas que sempre arregaçou as mangas atrás dos sonhos…que eram muitos. Foi quando me dei conta de que precisava trabalhar com algo que me permitisse criar mais, ter autonomia para propor e executar e que me apaixonasse.

Quando deixei o jornalismo das grandes redações, a princípio, fiquei perdida. Disse um não a esse caminho mas ainda não sabia qual seria o sim. Trabalhei por alguns meses numa assesoria de imprensa muito legal, onde aprendi um bocado e conheci gente inteligente, mas ainda não era aquilo. Foi quando descobri a Fundação Estudar, que foi a minha casa, minha escola e uma grande paixão ao longo de cinco anos. Os melhores da minha carreira e da minha vida até hoje.

A Fundação Estudar foi criada pelo famoso trio formado por Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles com o propósito de formar uma geração de futuros líderes transformadores para o país. Lá, eu criei uma área de comunicação quando a equipe ainda tinha 5 pessoas (hoje tem mais de 30!), coordenei projetos bem legais como o Prêmio Jovens Inspiradores e criei uma unidade de negócio focada em preparar jovens para estudar fora – tem um site que é o máximo chamado Estudar Fora e um serviço que prepara estudantes pra fazer graduação nos EUA. Mais que isso, aprendi que a gente pode mesmo fazer qualquer coisa que se propuser. É (só!) se cercar se gente boa, não ter medo trabalhar e começar sonhando grande.

Na Estudar floresceu o embrião da ImpulsoBeta na minha vida. Comecei a me questionar o que seria necessário para formar uma futura geração de mulheres líderes no Brasil. E vi que talvez fosse a hora de lançar voo solo, assumindo eu também o desafio de liderar diante de um projeto que parecia valer muito a pena. Encontei uma amiga-sócia que também tinha o sonho de empreender e a paixão por liderança feminina, tive o maior apoio da minha família, dos amigos de todos os lados (inclusive da Estudar!) e principalmente do meu marido, que é meu maior incentivador em todo e qualquer projeto que eu invento… estava dada a largada do projeto que vocês vão acompanhar por aqui nos próximos anos.

O que eu aprendi nessa jornada que eu quero compartilhar?

  • Focar nas competências que a gente pode desenvolver por onde passa. Cada experiência no CV me deu uma caixinha de ferramentas que vou usar agora na Beta;
  • Ser inteira. Tudo o que eu fiz de coração, 100% entregue, deu muito certo até hoje. Sempre que eu não estava inteira, não fui mais do que mediana;
  • Aproximar-se de gente boa. Gente competente, de bons valores e sonhadora. Foi assim na Estudar e também na Abril, e quando isso acontece você entra num processo muito acelerado de crescimento e o caminho é bem mais divertido;
  • Não existe mais formato pré-pronto de carreira. Não imaginava isso na faculdade, pensava que carreira era uma via única em que a gente ia correndo cada vez mais rápido. Descobri que no mundo de hoje a gente pode ser muito melhor se descobrir uma combinação única de talentos nossos que pode ser direcionada a oportunidades de mercado onde podemos fazer diferença.

Se você se identificou e quiser trocar figurinhas, é só me escrever em renata@impulsobeta.com.br que eu vou ter o maior prazer de te responder!