Aos 25 anos e formada em Literatura Inglesa pela prestigiada Universidade Brown, nos EUA, Emma Watson não é mais reconhecida “somente” por ter dado vida à bruxinha Hermione, da saga Harry Potter. Hoje, a jovem atriz destaca-se por outro importante papel. Desta vez, fora das telas: Emma é embaixadora da boa vontade da ONU Mulheres e a principal voz por trás da campanha HeForShe, que busca engajar homens na luta por igualdade entre os gêneros.

Em setembro de 2014, no lançamento da campanha, o discurso de Emma foi um sucesso e disseminou-se rapidamente pela internet. A atriz disse que, hoje, o feminismo está fora de moda e as feministas são vistas como “muito agressivas, anti-homens e até pouco atraentes”. No entanto, por definição, feminismo não é detestar os homens ou ser contra eles, mas sim acreditar que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e oportunidades. A palavra, disse ela, não importa, mas sim a ambição que traz: “Quero que os homens se comprometam para que suas filhas, irmãs e mães se libertem do preconceito e também para que seus filhos sintam que têm permissão para serem vulneráveis, humanos e uma versão mais honesta e completa deles mesmos”, afirmou.

Assista abaixo ao discurso na íntegra, com legendas em português:

E não para por aí…

Em janeiro deste ano, teve início a nova fase da campanha, chamada 10x10x10, cujo objetivo é estimular governos, empresas e universidades a assumir compromissos concretos para a igualdade de gênero. No site da HeForShe, há cartilhas que explicam como fazer isso.

Segundo Emma, que mais uma vez fez um discurso inspirador, a conferência de lançamento da HeForShe foi assistida mais de 11 milhões de vezes e gerou 1,2 bilhão de conversões nas redes sociais. “Todos, de Desmond Tutu (ganhador do Nobel da Paz em 1984) ao príncipe Harry, de Hilary Clinton a Yoko Ono, manifestaram seu apoio ou nos contataram desde setembro (…) Eu não poderia nem sonhar com isso, mas aconteceu”, disse. “Fiquei sem ar quando uma fã me disse que, desde que assistiu ao meu discurso, parou de se permitir ser espancada pelo pai”, completou.

Assista ao discurso de Emma (em inglês):

Como os homens podem apoiar a causa? – No site HeForShe há uma petição online em que, para assinar, basta colocar nome, país de origem e e-mail. Mas não basta só assinar, é preciso se comprometer com mudanças. “Muitos homens me perguntam o que fazer depois de assinar? O depois é com vocês. O compromisso é pessoal”, explica Emma.

Em entrevista à revista GQ, a atriz deu mais algumas dicas para quem deseja ser um “homem feminista”. Chame logo os homens que conhece para ler:

1. Não há problema em deixar sua mulher pagar a conta (o que não significa que o cavalheirismo tenha que morrer).
2. Não tenha vergonha de ser feminista. Se acha que todo mundo merece direitos iguais, você é feminista e pronto.
3. Há mulheres na sua empresa? Certifique-se de que elas estão recebendo o mesmo que os homens. Se você sabe que uma mulher esta fazendo a mesma coisa que você, mas recebendo menos, por que não questionar o seu superior a respeito?
5. Não é problema homem chorar. Chorar não é sinal de fraqueza. “Fico perturbada pela ideia de que homens não podem chorar e expressar como se sentem. Isso é muito triste. É o que te faz humano”, diz Emma.

Lembre-se: desigualdade entre os gêneros não é “um problema de mulher”, é uma questão de direitos humanos e que a cabe a você – e seu marido, namorado, pai, amigo, subordinado, chefe… – posicionar-se contra.