Em julho, o Centro Ruth Cardoso, em São Paulo, recebeu Mary Robinson, primeira presidente da Irlanda e pioneira em muitos outros temas, para um debate sobre igualdade de gênero e sustentabilidade.

Para quem nunca ouviu esse nome, Mary Robinson foi uma grande mulher:  iniciou seu mandato em 1990 vencendo dois desafios de uma só vez, ser a primeira mulher a ocupar a cadeira da Presidência da Irlanda e ser a primeira candidata à presidência a vencer as eleições sem apoio do Fianna Fáil, partido republicano com forte influência conservadora no país. Após encerrar seus sete anos de mandato, Robinson continuou fazendo história ao ser a primeira mulher à frente da Comissão de Direitos Humanos.

Hoje, aos 70 anos, a advogada continua a dar voz às mulheres por onde passa. É enviada das Nações Unidas para Mudanças Climáticas e chanceler da Universidade de Dublin. Com o Mary Robinson Foundation – Climate Justice, ela luta também pela presença de mais mulheres na busca por um meio ambiente mais equilibrado, assunto abordado durante sua palestra no instituto Ruth Cardoso.

No bate-papo organizado pelo Centro Ruth Cardoso, nós da ImpulsoBeta reunimos para vocês as ideias mais interessantes que a sra. Robinson compartilhou:

Homens nos esforços feministas:  A educação é a peça chave para atingirmos a igualdade de gênero no mundo. “Educando nossos meninos desde cedo em uma perspectiva diferente podemos mudar a sociedade degrau por degrau” é o que disse Robinson ao responder um espectador que lhe perguntou como os homens podem participar e ajudar efetivamente no movimento feminista.

“Educando nossos meninos desde cedo em uma perspectiva diferente podemos mudar a sociedade degrau por degrau”

Justiça Climática e Direitos Humanos: Durante o evento, foi abordado o tema da sustentabilidade e Justiça Climática, ponto central do Mary Robinson Foundation – Climate Justice. Segundo ela, as agriculturas familiares têm sido extremamente prejudicadas com as mudanças climáticas, levando famílias inteiras a passar fome. Junto ao instituto, Mary preza pelos DIreitos Humanos e trabalha para garantir a segurança e estabilidade dessas famílias. Na palestra, Mary ressaltou a importância do empoderamento feminino das mulheres nas regiões agrícolas, já que muitas delas é quem cuidam das lavouras e mantêm a renda da família. Mas ressaltou que é interessante que elas expandam os horizontes para outras atividades no ramo. “As mulheres ainda costumam ficar longe das principais mesas de negociação, embora elas tenham muito conhecimento sobre diversos assuntos” diz.

Mulher e política: Mary ressaltou que, apesar de quase metade da população mundial ser mulher (são 101,8 homens para cada 100 mulheres no mundo, segundo a ONU), ainda falta participação política feminina para representar os países interna e externamente. No Brasil, 51,6% da população são mulheres, mas a representação política feminina no país é desproporcional. Felizmente, o Ministério Público tem criado campanhas de incentivo a inclusão de mulheres em posições políticas, o que foi elogiado pela ex-presidente irlandesa.