Na última quarta-feira (13/7), a ImpulsoBeta esteveno Campus São Paulo, espaço do Google de incentivo ao empreendedorismo, para falar a uma plateia de mais de 100 pessoas sobre um tema que vem gerando atenção no mercado: mulheres e tecnologia.

As duas palavras juntas só soam estranho para quem ainda não está a par de tudo o que organizações sociais, empresas e as próprias mulheres têm feito para mudar o quadro atual de baixa presença de mulheres em áreas de tecnologia. A exemplo do curso de Ciência da Computação da Universidade de São Paulo, entre 2011 e 2014, apenas 8 garotas concluíram a graduação.

Uma boa notícia é que, por entenderem que mais mulheres no time da alta liderança trazem benefícios para os negócios, empresas têm investido na contratação e retenção de mulheres. Uma pesquisa liderada por Harvard, Catalyst, Gallup entre outras organizações, mostra que quando a companhia tem pelo menos 3 mulheres na alta liderança, há 60% de bons retornos no capital investido e 84% de melhora nas vendas. Com isso em mente, alguns fortes nomes da tecnologia já estão se movendo para que a diversidade de gênero seja uma realidade nas suas equipes. Iniciativas como o Open Diversity Data permite que as empresas publiquem dados referente ao perfil de quem trabalha lá: mulheres, negros, homossexuais, mas também deixam em aberto aquelas empresas que ainda não expuseram os seus, assim, o leitor consegue entrar em contato com essa determinada empresa e pedir para que esses dados sejam publicados nesse banco, exigindo transparência.

Além de melhorar a imagem do público em relação à empresa, há também iniciativas internas para que os próprios colaboradores se esquivem de reproduzir discursos e atitudes estepeotipados dentro do ambiente de trabalho e na vida pessoal e também melhorar a qualidade de vida de quem trabalha lá. O Google e o Facebook, por exemplo, investem em treinamentos internos para que os viéses incosncientes não sejam aplicados. Uma maneira efetiva de fazê-lo, é ocultar o nome de canditadxs do currículo, assim quem recruta não é involuntariamente influenciadx pelo gênero. O Pinterest pediu para que seus próprios funcionários indicassem mulheres para preencher as vagas em aberto da empresa. Essa atitude aumentou em 55 vezes a quantidade de colaboradores pertencentes a grupos minoritários,como negros, homossexuais etc e cresceu em 24% a quantidade de engenheiras no time. O Slack, uma ferramenta nova para a interação de grupos e equipes, reestruturou o processo seletivo e os recrutadores fazem, agora, exatamente as mesmas perguntas para homens e mulheres, para evitar que uma pergunta feita de forma diferente favoreça um ou outro. O Linkedin e o Twitter se mostraram preocupados com a questão da maternidade e paternidade. O primeiro continua pagando bônus de performance comercial durante a licença maternidade, e o segundo passou a oferecer uma licença paternidade de 5 meses.

Para compartilhar a perspectiva pessoal de mulheres que atuam no setor, recebemos Camila Achutti e Tatiana Barros, dois nomes de jovens de destaque no empreendedorismo feminino e tecnológico do país. Enquanto Camila se dedica a entregar soluções em um curto prazo com a Ponte21 e empoderar meninas da área com o blog Mulheres na Computação, Tatiana trabalha em prol das crianças, em especial as do ensino fundamental I, com a Saga Pólen, em que desenvolve o interesse dessas crianças à tecnologia através do entretenimento.

Durante o papo, conseguimos ter uma dimensão maior de que o assunto tem ganhado visibilidade e investimentos, mas ainda há muito o que fazer para preencher esse gap, principalmente nas empresas já consolidadas no mercado.

Felizmente, quando olhamos para outros esforços para mudar esse cenário, temos no Brasil ótimos exemplos de projetos e canais que incentivam mulheres de todas as idades a se (re) descobrirem, entendendo que talvez determinado assunto tenha sido afastado delas porque a sociedade insiste em seguir estereótipos que não estão mais de acordo com as ideologias contemporâneas. Um bom exemplo de que não há idade para fazer o que se gosta é o projeto MULHERES 50+ em Rede, liderado por Tássia Monique Chiarelli, que capacita empreendedoras mais maduras, dando mais visibilidade aos seus negócios e independência digital. Outra iniciativa interessante, que une duas militâncias diferentes e importantíssimas em um único projeto é o InfoPreta, que através do empreendedorismo social oferece serviços de informática para mulheres da periferia de São Paulo. O incentivo para que as meninas entrem na área fica por conta do canal no youtube onde Buh Angelo, idealizadora do projeto, dá dicas e muitas vezes soluções de problemas relacionados à informática, oferecendo também independência e capacitação a essas garotas.

Existe também a ONG Mulheres na Tecnologia, que é uma rede de integrantes homens e mulheres que sonham com mais espaço para as mulheres nesse nicho. Esse grupo organiza uma série de eventos que coloca mulheres em contato umas com as outras e com o mercado de trabalho. O próximo será o encontro oficial do próprio blog, o MNT2016, que acontecerá em Goiânia.

Se você não conseguiu participar do nosso encontro, pode ficar por dentro do que rolou assistindo o vídeo da transmissão no nosso canal do youtube! Conhece alguma iniciativa bacana que incentiva a presença de mulheres em espaços socialmente negados a elas? Conta pra gente aqui nos comentários!